
Nos tempos primitivos, estava o homem em um corpo frágil, desprotegido; morando nas árvores, nas cavernas... Esse corpo era indefeso e não tinha como sobreviver nem mesmo ao veneno de uma pequena serpente – bem menos a força do ataque de um leão.
O homem estava com medo, não podia dormir sossegado, havia muitos predadores espreitando-o a noite. Mas o homem descobriu que tinha algo a mais que seus “inimigos.” O homem tinha a capacidade de pensar, raciocinar, projetar... Foi então que o homem desenvolveu a mente, e essa mente lhe trouxe as “soluções”: defesas e armas.
Agora o homem estava forte, protegido, superior... – soberano entre todos – daí a identificação com a mente. Então o homem disse: “eu não sou o corpo! Eu sou a mente!” E desde aí o homem tem vivido como se fosse ela.
Olhe para o fenômeno. Se você disser a alguém: “você é um doente do corpo”, muito provavelmente essa pessoa não vai se irar – e até vai procurar se tratar. Mas se você o disser: “Você é um doente mental”, muito provavelmente ele ou ela vai se irritar – irá lhe dizer: “louco é você!”
Ora, o corpo é visto como um servo, e ninguém quer ser um servo. Mas a mente é vista como o senhor, e todos querem ser senhor.
Assim nasceu a identificação com a mente. e também foi assim que o homem se perdeu de si mesmo.
Edson Carmo
















