
O filósofo grego Sócrates disse: “Conhece-te a ti mesmo”
O Mestre Jesus Cristo disse: “Negue-se a si mesmo”
Essa é uma única questão em seus dois aspectos. Trata-se de duas etapas de um mesmo processo. E também é algo que deve ser profundamente analisado e assimilado.
Mas do que eles estão falando? O que deve ser conhecido, e o que deve ser negado?
Segundo eles, algo deve ser conhecido, negado e consequentemente abandonado. E se você pode conhecer algo, negar algo, abandonar algo, então esse algo não é você! Porque para haver um processo de conhecimento, é preciso que haja o conhecedor e o conhecido; para haver uma negação e um abandono, é necessário que exista o abandonador e o abandonado. E se esse abandonado for você, então como poderá acontecer o abandono? Quem abandonará quem?
Essa questão não é difícil, mas você não conseguirá compreender essas mensagens se não reconhecer sua originalidade e sua autenticidade – a verdade sobre você mesmo.
Quem é você originalmente? Quem é você autenticamente? Originalmente, autenticamente você é a imagem e a semelhança de Deus.
Acontece que essa imagem e semelhança de Deus foram substituídas: a consciência foi substituída pela inconsciência; a sabedoria pela ignorância; a paz pela guerra; a simplicidade pela complexidade; a naturalidade pela vaidade; o Ser pelo fazer e ter; e assim por diante.
Aqui está uma chave para a compreensão: o homem identificou-se com o seu fazer. Ele pensa que é aquilo que faz – quando o fazer é a conseqüência e não a causa. O homem é a causa, mas ele pensa que é a conseqüência. O homem tem intrinsecamente um grande potencial, então com esse potencial ele faz muitas coisas, e, acaba ganhando títulos. São exatamente esses títulos que o homem pensa que ele é.
O filósofo Sócrates manda que examinemos isso em nós. Já o Mestre Jesus Cristo manda que neguemos e abandonemos tudo isso. O Senhor Jesus manda que abandonemos: os atos egóicos, as contendas, as violências... Ele nos estimula as praticas de amar e perdoar. O Senhor Jesus sabe que todo fazer pode ser mudado, porque o fazer nem sempre está manifesto por meio da consciência, e sim da inconsciência.
É essa a grande questão! Negar a inconsciência e abraçar-se com a consciência.
Você não é o seu fazer! Se você não estivesse presente, quem estaria fazendo? O fazer é por causa de você; você é a causa, o fazer o efeito. Sem você, não existe fazer. Mas sem fazer só existe você. Se você está consciente de quem você é – “a imagem e semelhança de Deus” –, então o que você poderá fazer de mal? Absolutamente nada! Mas se você está inconsciente do que você é, então você poderá ser um ditador, um falsificador, um destruidor...
Assim, Sócrates nos convida a conhecer nossa ignorância, e Jesus, a negá-la e abandona-la.
Edson Carmo