quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

TODOS PERGUNTAM A SI: "QUEM SOU EU?"

Todo desespero humano consiste no fato de não sabermos quem somos. Somos uma possibilidade; um potencial a ser descoberto e trabalhado; um processo; um desenvolvimento; um talvez; ... Porque não somos ainda, sofremos – essa é toda nossa dor. Essa é agonia humana: “não ser ainda, mas ainda ter que ser”. Os animais sabem quem são. O papagaio só pode ser papagaio; o leão só pode ser leão... Nenhuma mudança ou transformação é possível a eles. Eles são um produto acabado. Mas o homem sempre se pergunta: “Quem sou eu?” porque não conhece a resposta. De fato essa é a pergunta que poucos sabem responder, e é a partir dela que surge todas as formas de ciência e também a ganância pelo dinheiro e o poder. Quem é louco por dinheiro, por poder, certamente está tentando responder à pergunta “Quem sou eu?”. Tal pessoa pensa que ao ter dinheiro ela saberá quem ela é. Ela pensa que será rica, ela pensa que terá uma identidade com isso. Quando o homem tiver se tornado rico, novamente a pergunta surgirá: “Quem sou eu?” Ele agora tem dinheiro, mas quem ele é? Ele não é o dinheiro! Ele não pode ser aquilo que ele possui. O homem não é o seu Ter, e sim o seu Ser. Quem é esse homem que possui? Ele possui o título de Governador, mas isso é só uma função, isso não é o seu Ser. Quem é ele afinal? Quem é esse homem que não era Governador e que agora é um Estadista Poderoso, será que será a mesma coisa amanhã? O título, a função são apenas papeis, episódios na vida dele por isso a vontade de ser persiste, ela não pode ser satisfeita por esses esforços e conquistas superficiais. O homem não é porque está fazendo exatamente isto. Ele pensa que é o marido, o pai, o isso, o aquilo... mas o desejo básico é de alguma maneira ter uma identidade: “eu sou o marido, eu sou o pai, eu sou o chefe”. Essas coisas não podem responder a pergunta. Ser uma um pai, é simplesmente a superfície. Essa não é a real identidade. Essa é uma identidade falsa. Se a criança morrer, quem será o pai? O pai já não será mais pai. Se a esposa deixar o marido, então ele será marido de quem? Essas identidades são cascas muito frágeis e o homem vive constantemente enfrentando crises para tê-las. Ele tenta arduamente arrumar uma definição para si mesmo, mas tudo que ele consegue é uma falsa identificação. O homem é o seu mundo interior. Como ele pode conhecer isso através de objetos do mundo exterior? Eu sou um homem que ama, não um Pastor. Eu sou a minha humanidade, não o meu título. O homem pode ter uma bela casa, mas isso é o mundo exterior. O homem pode ter belas peças de arte, pinturas, antigüidades, carros, títulos, mas tudo isso é apenas o mundo exterior. Essas coisas não podem definir o homem porque um dia a casa pega fogo e toda a falsa identidade vai ser queimada, então o homem estará confuso, perguntando novamente: “Quem sou eu?”

Edson Carmo

Um comentário:

Emanuela disse...

Na verdade estamos sempre na pergunta: Quem somos?
Cada dia melhor seu blog